quarta-feira, 12 de junho de 2013

Em 2014 teremos segundo turno ???

As avaliações dos presidentes nacionais do PSDB, senador Aécio Neves (MG), e do PSB, governador Eduardo Campos (PE), feitas a interlocutores são de que o risco de aumento de inflação, exibido nos programas de TV dos dois partidos, teve forte influência nos números do Datafolha, publicado no domingo, e na CNT/MDA, divulgada ontem. Nos dois levantamentos, Dilma tem mais de 50% dos votos, mas os potenciais candidatos acreditam que, com a campanha na TV em 2014, esse índice tende a cair.
Campos lembrou a auxiliares que em 2010, mesmo com o PIB subindo cerca de 7%, a popularidade do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas alturas e tendo uma ampla coligação, Dilma teve no primeiro turno 46,91% dos votos, contra 32,61% de José Serra (PSDB) e 19,33% de Marina - na época, no PV.
Trio. Campos e Aécio disseram aos auxiliares que o trio que hoje desponta como oposição é mais competitivo do que os adversários do governo em 2010. E que o PSDB, em qualquer condição, costuma ter cerca de 30% dos votos no primeiro turno. "Nós não temos mais dúvida de que haverá segundo turno", disse o senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF).
Para o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), ficou claro que a insatisfação cresceu, o que vai levar a eleição para o segundo turno. "De forma geral, nota-se queda do otimismo em relação a temas centrais como emprego, renda mensal, além de piora em temas como saúde, educação e segurança", afirmou.
Tanto Campos quanto Aécio avaliam que, no próximo semestre, os programas dos partidos de oposição na TV devem insistir nas críticas ao governo. A primeira legenda a ir ao ar no segundo semestre será a Mobilização Democrática (resultado da fusão do PPS com o PMN), em 26 de julho. O PSDB fará seu próximo programa em 19 de setembro e o PSB, em 10 de outubro.
A ideia dos dirigentes do MD, como o presidente, Roberto Freire (SP), e o líder na Câmara, Rubens Bueno (PR), é bater no governo, com destaque para a falta de controle da inflação e o fraco crescimento do País.
Uma análise feita pelos principais assessores de Campos ao governador concluiu que, pela primeira vez em muitos anos, o governo apresentou queda na popularidade e os prováveis adversários cresceram. À mesma conclusão chegou a equipe de Aécio. Ambos planejam mais viagens pelo País nos próximos meses. 

terça-feira, 23 de abril de 2013

LIDER DO PT APRESENTARÁ NOVA EMENDA AO PROJETO

O líder do PT no Senado, Wellington Dias (PI), afirmou nesta segunda-feira, 22, que é contra a validade do projeto de lei que barra a transferência do tempo de televisão e dos recursos do fundo partidário aos novos partidos já para as eleições de 2014. O senador petista Jorge Viana (AC) também anunciou que apresentará emenda para a nova regra valer apenas para a próxima legislatura.



A proposta, aprovada na Câmara dos Deputados na semana passada, inviabiliza o funcionamento de legendas em gestação, como a Rede Sustentabilidade, da ex-ministra Marina Silva, a fusão entre PPS e PMN, que decidiu criar o Mobilização Democrática, e o Partido Solidariedade, do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical.


"Há uma tendência de se realizar mudanças no projeto para que ele entre em vigor após o calendário da próxima eleição", afirmou o líder petista, ao ressaltar que, para ele, há uma "tendência de alteração" em relação à proposta aprovada na Câmara.


Antes de chegar ao Senado, ainda falta a votação pelos deputados de destaques ao projeto. O principal deles é quanto ao início da vigência da proposta. Uma emenda do PSDB quer que a regra entre em vigor a partir de outubro de 2013, enquanto o PPS pretende estipular o início em fevereiro de 2015.


Amigo pessoal da ex-ministra Marina Silva, Jorge Viana afirmou, em discurso da tribuna do Senado, que apresentará uma emenda assim que o projeto chegar à Casa para garantir a validade da nova regra somente a partir de 2015. "Temos de ser justos, mexer nas regras do jogo com o jogo em andamento não vale", criticou ele.


O líder do PT ressaltou que a regra atual é que o partido, para ser criado, precisa ter obtido votos de eleitores para ter direito aos benefícios da lei, como tempo de TV e acesso ao fundo partidário. Segundo ele, a exceção foi o PSD, que conseguiu por decisão do Tribunal Superior Eleitoral acesso às benesses da legislação eleitoral.


segunda-feira, 22 de abril de 2013

CONVERSA PARA BOI DORMIR

Quando interessava ao Palácio do Planalto criar um novo partido para enfraquecer a oposição, ninguém ouviu um só ministro vir a público com o discurso “republicano” da fidelidade partidária. O governo deu até uma mãozinha para sair do papel o partido de Gilberto Kassab, o PSD, porque interessava ao Planalto. Rachava a oposição, desidratando principalmente o DEM. O PSD nasceu forte, com direito a recursos do Fundo Partidário e tempo de televisão. Silêncio no Planalto.


Agora, que não interessa ter no caminho uma candidatura em 2014 que possa rivalizar com Dilma, como a de Marina Silva (Rede) ou a de Eduardo Campos (PSB), que deve receber o apoio do MD (Mobilização Democrática), criado por Roberto Freire, começa a se ouvir do Planalto um mantra em defesa do fortalecimento do sistema partidário. Desculpe, mas soa, sim, como oportunismo político.

A criação de novas legendas, no País, no geral serve para fortalecer o comércio eleitoral, baseado numa única moeda: tempo de televisão. Cria-se um partido, recebem-se alguns minutos de propaganda no horário eleitoral no rádio e na TV, que depois são mercantilizados pelos donos desses mesmos partidos com as tradicionais legendas, que têm recursos para bancar essa compra. O pagamento às vezes é até contabilizado, travestido de “doação” para a chapa de vereadores da sigla que deu o seu tempo de TV. Mas muitas vezes a fatura é paga extraoficialmente, sabe-se lá de que maneira. Esse comércio leva a alianças bizarras, e é claro que deve ser alvo de uma discussão sobre uma reforma política ampla.

Mas, infelizmente, não é isso que está na pauta do dia do Planalto, que se preocupa com uma única coisa, a reeleição da presidente Dilma Rousseff. A suposta preocupação com a fidelidade partidária, defendida bravamente por Carvalho, é conversa para boi dormir.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

MARINA TENTA DERRUBAR PROJETO AGORA NO SENADO

Com apoio do PSDB e do pré-candidato à Presidência Aécio Neves (MG), a ex-senadora Marina Silva articula-se para convencer colegas de Parlamento a barrar a votação do projeto de lei que restringe o acesso de novas legendas à propaganda na TV e ao fundo partidário. Em outra frente, o PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, outro provável candidato à Presidência, anunciou que vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a proposta. O PSDB e o MD também querem recorrer à Justiça.


O projeto foi aprovado pela Câmara na noite de quarta-feira, depois de forte pressão do Planalto. A oposição interpreta que a proposta, se aprovada no Senado, servirá para dificultar as candidaturas de Marina e Campos. O governo nega que tenha agido por oportunismo eleitoral.

O líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes (SP), afirmou que o projeto foi "feito de caso pensado para essa eleição". Ele adiantou que tentará barrar a votação. "Vou votar contra porque é casuístico. Defendo que possa existir a limitação para a criação de partidos, mas não para as próximas eleições e aprovado desse jeito", criticou Aécio. Para o pré-candidato tucano, a ação do Planalto mostra preocupação com 2014. "Querer inviabilizar de forma tão truculenta outras candidaturas é a certeza de que este governo não está seguro para o confronto."

O deputado Alfredo Sirkis (PV-RJ), defensor da candidatura de Marina, disse que a ex-ministra conversa com senadores. "Ela acha que há chances de barrarmos o projeto no Senado. Se não for possível, vamos à Justiça."

Apesar de na Câmara o PT ter se aliado ao PMDB e ao DEM para aprovar o projeto, no Senado o líder petista, Wellington Dias (PI), criticou a rapidez da votação. O projeto foi votado em regime de urgência. "Qualquer mudança, daqui para a frente, vai ser contaminada pela discussão de 2014, que já está próxima. Essa é uma crítica que eu também faço", admitiu o petista.

O líder do PSB no Senado, Rodrigo Rollemberg (DF), que trabalha para arregimentar partidos que venham a melhorar o tempo de TV na campanha de uma eventual candidatura de Campos, anunciou que entrará com mandado de segurança no STF para impedir a votação. Ele pretende recorrer ao STF já na semana que vem. O gesto é político, pois o STF tem resistência a interferir em propostas ainda não aprovadas pelo Congresso. A Câmara ainda precisa votar cinco emendas, mas o conteúdo central do projeto já foi aprovado.

Rollemberg negou que a iniciativa tenha sido orientação do governador. "Não podemos deixar que a legislação eleitoral seja feita para atender a objetivos específicos."

O presidente do MD, deputado Roberto Freire (SP), também anunciou que recorrerá à Justiça. O MD foi criado a partir da fusão do PPS com o PMN anteontem, horas antes de o projeto entrar em votação na Câmara. O novo partido pode vir a apoiar uma eventual candidatura de Eduardo Campos.



quinta-feira, 18 de abril de 2013

CÂMARA APROVA PROJETO CONTRA NOVOS PARTIDOS

Sob pressão do Palácio do Planalto, a Câmara aprovou ontem à noite, por 240 votos a favor, 30 contrários e 13 abstenções, o texto-base do projeto de lei que limita o acesso de novos partidos ao Fundo Partidário e ao tempo de propaganda na TV e no rádio. O governo atuou fortemente nos bastidores pela aprovação da proposta. A ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti (PT), telefonou para parlamentares e líderes cobrando a posição de partidos da base aliada. O Estado flagrou um desses telefonemas.O projeto seguirá para votação no Senado. Se aprovado, será levado à presidente Dilma Rousseff para a sanção presidencial.




O resultado cria muitas dificuldades para a candidatura da ex-ministra Marina Silva, que luta para formar seu novo partido, o Rede Sustentabilidade. E também atrapalha as pretensões do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), pois quem migrar de legenda não poderá levar com ele o tempo de TV. O prejuízo aos dois prováveis adversários do PT no ano que vem foi maior do que previa o projeto original do deputado Edinho Araújo (PMDB-SP) porque os deputados aprovaram emenda do DEM que reduziu ainda mais o tempo de propaganda na TV das novas legendas.



quarta-feira, 17 de abril de 2013

CIRO QUER DEBATE INTERNO NO PSB

"Se meu partido tiver candidato, depois que fizer minhas ponderações, vou acompanhar o partido. Mas vou fazer uma discussão dizendo que a candidatura é inoportuna."

O ex-ministro afirma que seu pensamento é "complexo": defende candidatura própria mas aponta "incoerência" em disputar o Planalto na condição de sigla aliada ao governo Dilma Rousseff.

Ciro diz que em 2010, quando se apresentou como pré-candidato à Presidência pelo PSB e Dilma era ainda pouco conhecida, o seu partido decidiu apoiá-la. "Qual a explicação para mudar de posição agora?", questionou.

"Está bom mas podemos fazer melhor? Isso é conversa de marqueteiro. O Brasil precisa de debate profundo de ideias", afirma o ex-ministro, em crítica ao slogan de Campos.

"O PSB não tem ideia nenhuma, pelo que eu saiba", disse, ponderando que Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (Rede), possíveis candidatos em 2014, também não possuem.

Ciro diz que Campos é o mais preparado dos três. "Mas é zero de ideia". Afirmou ainda que o governador de PE "faz um discurso também reacionário quando vai conversar com empresários reacionários de São Paulo". "Vamos disputar com a Dilma pela direita?"

Ele também voltou a criticar a relação do governo Dilma com o Congresso. Disse que a gestão é "de base fisiologista, clientelista e suscetível à corrupção".

Questionado sobre essa crítica, faz referência à aliança do governo federal com o PMDB e o apoio à eleição de Renan Calheiros (PMDB-AL) à presidência do Senado e de Henrique Alves (PMDB-RN) à presidência da Câmara dos Deputados.



terça-feira, 16 de abril de 2013

EDUARDO CAMPOS E AS ARTICULAÇÕES

No dia em que o plenário da Câmara dos Deputados prepara-se para votar o projeto de lei que barra a transferência do tempo de televisão e do fundo partidário aos novos partidos, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos – presidenciável do PSB – desembarcou em Brasília para comandar as articulações contra a proposta. PMDB e PT tentam votar a toque de caixa o projeto ainda hoje.


A investida do governador contra o projeto é mais um passo que deve ser interpretado como um sinal de que não pretende recuar de sua candidatura à presidência em 2014. Seu principal interesse é ganhar tempo para garantir a fusão do PPS com o PMN (Partido Municipalista Brasileiro) em um novo partido que deverá chamar-se Partido da Mobilização Democrática, que deve ser formalizada amanhã, 17. Campos já tem garantido o apoio da nova legenda à sua candidatura.

“O PSB é contra o projeto, por uma questão de justiça”, declarou Campos. “Se já foi possível a outros criarem partidos no passado (com tempo de televisão e fundo partidário), é importante que respeitem o direito dos outros”, desafiou. Campos fez uma crítica indireta ao ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, que garantiu a transferência do tempo de televisão e dos recursos do fundo partidário ao PSD, por meio dos deputados que migraram para a nova legenda.

Se o projeto, respaldado pelas principais siglas governistas – PMDB e PT -, for aprovado, inviabiliza o funcionamento dos novos partidos em gestação, como a Rede Sustentabilidade, de Marina Silva, e o Partido Solidariedade, do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP). O êxito da criação dos novos partidos fortalece as candidaturas de Marina e Campos, projetando um segundo turno nas eleições do próximo ano.

Por isso, a proposta tem o apoio velado do Palácio do Planalto, e de outras siglas de médio porte, como PSD e DEM – o primeiro para não perder parlamentares e reduzir seu tamanho e força de barganha junto ao governo, para o qual já funciona como linha auxiliar. O DEM , embora alinhado com o PSDB, teme desidratar ainda mais.